Histórias de Sucesso

Yagonny Sousa

Yagonny Sousa

"Aos 18 anos, no dia 15 de Abril de 2010, eu sofri um acidente que mudou a minha vida. Eu estava trabalhando, trabalhava como montador e instalador de letreiros, e nesse dia estávamos instalando um letreiro no segundo andar de um prédio e na hora de suspendermos a armação, para que pudéssemos prendê-la na parede, ela passou perto de uma rede elétrica que a atraiu, e como eu não estava...

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Yagonny Sousa

"Aos 18 anos, no dia 15 de Abril de 2010, eu sofri um acidente que mudou a minha vida.
Eu estava trabalhando, trabalhava como montador e instalador de letreiros, e nesse dia estávamos instalando um letreiro no segundo andar de um prédio e na hora de suspendermos a armação, para que pudéssemos prendê-la na parede, ela passou perto de uma rede elétrica que a atraiu, e como eu não estava utilizando nenhum equipamento de proteção, recebi a descarga nas mãos.
Fui levado para o hospital o mais rápido possível. Os médicos fizeram de tudo para que não fosse necessário amputar as mãos, mas infelizmente não conseguiram. No início foi bastante difícil aceitar a nova condição de vida, fiquei revoltado, deprimido, não sabia mais o que fazer. Mas então me disseram que com uma prótese isso poderia ser amenizado.
Daí em diante comecei o processo de reabilitação dentro do hospital mesmo, pois fiquei internado lá por mais 1 mês e meio. Depois que saí do hospital continuei a reabilitação na ABBR. Depois, por indicação de uma Psicóloga conheci a ANDEF. Ela me indicou essa instituição, porque poderia praticar um esporte e isso seria bom para a minha reabilitação. Então comecei a me dedicar somente a isso. Logo depois cheguei à ETHNOS onde, finalmente, pude começar a protetização. Levei um pouco mais de 1 mês para me protetizar... Depois começaram os treinamentos, que não foram nada fácil. Eu me adaptei bem à prótese, mas existem coisas que é melhor fazer sem o uso delas. Porque tem coisas que não se consegue fazer sem estar sentindo diretamente, e as próteses ainda não me proporcionam isso.
Hoje, 4 anos depois de ter acontecido essa mudança radical na minha vida, procuro não me importar com pessoas me olhando porque sou um deficiente e sentem pena por isso. Acho até graça. Acho que não conseguiria na minha antiga condição de vida, o que já consegui nessa nova. Sou um atleta profissional, dono do recorde mundial nos 800m rasos na classe T45, represento o Brasil em competições de nível internacional porque já faço parte da seleção brasileira de jovens de paraatletismo. Tenho uma família que me apoia bastante em tudo que preciso. Tenho uma namorada e amigos que me apoiam bastante também, e ainda não senti nenhum preconceito da parte deles por conta disso. Muito pelo contrário, estão cada vez mais perto.
É isso!
Meu nome é Yagonny Sousa, essa é a minha história.
Obrigado!”

Valdete Dias

Valdete Dias

“Aos 21 anos, em 1990, estava com meu esposo, dentro de um ônibus, a caminho da nossa lua de mel, dois dias após o meu casamento. A viagem até Cabo Frio foi interrompida no trevo de Piúma. O veículo capotou e fiquei presa nas ferragens. Tive uma amputação imediata. Oito dias mais tarde, perdi a outra perna, na altura da coxa, devido a uma infecção hospitalar.Meus planos nunca...

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Valdete Dias

“Aos 21 anos, em 1990, estava com meu esposo, dentro de um ônibus, a caminho da nossa lua de mel, dois dias após o meu casamento. A viagem até Cabo Frio foi interrompida no trevo de Piúma. O veículo capotou e fiquei presa nas ferragens. Tive uma amputação imediata. Oito dias mais tarde, perdi a outra perna, na altura da coxa, devido a uma infecção hospitalar.
Meus planos nunca mudaram, o que mudou completamente foi a vida. Tive que reaprender a andar, fiquei um ano internada por causa da reabilitação. Após sair do hospital, precisei voltar a viver. Eu precisava viver! E era uma nova vida onde eu tinha que adaptar tudo. Três anos após o casamento, chegou meu filho Felipe. O casamento acabou após alguns anos.
Na prática, minha vida se tornou “normal”. Vivo em função das próteses, me aposentei e nunca mais pude trabalhar.
Tive contato com a arte na terapia ocupacional. Sempre fui professora da rede municipal de Piúma, trabalhando com educação infantil. A nova vida fez com que eu me apaixonasse pela arte. Isso me levou a pintar as telas que hoje são o meu sustento. Durante vários anos ministrei cursos na Associação das Famílias de Pescadores de Piúma e hoje, graças a Deus, levo uma rotina normal e sou muito feliz. Para muitos, a vida acaba quando uma tragédia ocorre na vida delas, para mim, foi um recomeço.
Atualmente, já com 45 anos, ainda tenho algumas dificuldades. Sempre tem preconceito. Às vezes as pessoas acham que, por não ter as pernas, sou incapaz de fazer alguma coisa, até mesmo de ter namorados. Outras vezes quando chego a algum lugar as pessoas param, olham, acham que é uma coisa de outro mundo. Quando estou sem as próteses, as pessoas se impressionam mais ainda. Mais, uma coisa eu aprendi: A gente deve sempre olhar para o lado e para trás, porque sempre há alguém em situação pior que a nossa. Muitas das vezes sempre reclamamos que não temos algo. Conheço pessoas que não tem os quatro membros e são felizes. Eu só não tenho dois, eu tenho meus braços, minha cabeça boa. Existem pessoas que não conseguem nem se locomover e também são felizes. Aos acomodados, digo que devem agradecer pelo que tem e não reclamar do que não tem.

Hoje, 24 anos depois do meu acidente, sou especializada em pintura em telas e dou aulas em meu ateliê, na minha própria casa, três horas por dia.

Meu nome é Valdete Dias, essa é a minha história.

Maria Cedro Lima

Maria Cedro Lima

“ Meu nome é Jaqueline Maria Cedro Lima, tenho 21 anos. Aos 11 anos, tive um Osteosarcoma (câncer no osso), no fêmur. Em 2006, fiz quimioterapia, durante um ano e depois dos primeiros seis meses, tive que fazer uma cirurgia para retirar o pedaço do osso afetado e colocar uma Endoprótese. Fiz quimioterapia por mais 6 meses e achei que ali tinha acabado minha luta. Só que não! rs Fiquei 5 anos...

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Maria Cedro Lima

“ Meu nome é Jaqueline Maria Cedro Lima, tenho 21 anos.

Aos 11 anos, tive um Osteosarcoma (câncer no osso), no fêmur. Em 2006, fiz quimioterapia, durante um ano e depois dos primeiros seis meses, tive que fazer uma cirurgia para retirar o pedaço do osso afetado e colocar uma Endoprótese. Fiz quimioterapia por mais 6 meses e achei que ali tinha acabado minha luta. Só que não! rs

Fiquei 5 anos em controle, nesse período minha endoprótese quebrou duas vezes, na terceira vez contrai uma infecção e descobri que o câncer tinha voltado nos pulmões, operei e fiquei internada durante 6 meses, pra tratar a infecção na endoprótese, mas infelizmente os antibióticos não acabaram com a infecção, então meu médico me deu duas alternativas: desarticular ou continuar por tempo indeterminado, com grande chance da infecção se tornar generalizada e acabar vindo a óbito. Com a notícia chorei as primeiras 2 horas, perguntava a Deus: “Por que comigo? Será que sou tão ruim assim?”

Depois te tanto chorar, acabei pegando no sono e quando acordei já estava com minha decisão tomada, minha médica veio e eu disse que iria operar, pois já não aguentava mais morar no hospital, queria ter minha vida normal novamente e assim foi. E então começou o processo pós-operatório, aprender a fazer tudo sem a perna e com a sensação que ela estava ali. Caí, por incrível que pareça, uma só vez. A cabeça ficou meio confusa, não consegui dormir, durante uns vinte dias tomei antidepressivo, que me ajudou a entender o que estava acontecendo.
Esperei quase 2 anos para receber minha prótese, tem cinco meses que estou me adaptando, é um processo complicado, pois temos que aprender a fazer tudo de novo, como andar em casa e na rua, sentar, levantar, descer e subir escada.. mas o principal desafio é sair na rua, enfrentar os olhares das pessoas curiosas, perguntando o que houve.

EM ISAÍAIS 40:10 DIZ: “NÃO TEMAS, PORQUE EU SOU CONTIGO;NÃO TE ASSOMBRES, PORQUE EU SOU TEU DEUS; EU TE FORTALEÇO, E TE AJUDO, E TE SUSTENTO COM MINHA DESTRA FIEL.”

Nessa promessa encontro força para superar e seguir os desafios, que sempre terei.
Não podemos nos trancar dentro de casa e nos esconder do mundo. A vida é linda, e não importa a nossa condição física temos que correr atrás dos nossos sonhos. Vou começar minha faculdade, arrumar um emprego e seguir em frente. E eu estou indo, tentando e estou conseguindo. Não existe superação maior do que a sensação do “eu consigo, SIM!”. Nada é impossível ao que crê.
Deus abençoe a todos.


Meu nome é Jaqueline Maria Cedro Lima.”

Anne Caroline

Anne Caroline

"Olá! Chamo-me Anne Caroline, tenho 28 anos e uma filha de 5 anos, a Eduarda. No dia 26 de janeiro de 2013, um sábado à tarde, sofri um acidente de moto, onde naquele momento tive uma completa mudança em minha vida. No acidente tive 4 fraturas na perna direita, sendo duas expostas e perca de pele, carne e músculo. De imediato ao dar entrada no hospital foi dito a respeito de uma amputação ao meu...

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Anne Caroline

"Olá! Chamo-me Anne Caroline, tenho 28 anos e uma filha de 5 anos, a Eduarda. No dia 26 de janeiro de 2013, um sábado à tarde, sofri um acidente de moto, onde naquele momento tive uma completa mudança em minha vida. No acidente tive 4 fraturas na perna direita, sendo duas expostas e perca de pele, carne e músculo. De imediato ao dar entrada no hospital foi dito a respeito de uma amputação ao meu pai, porém por não aceitar, fiz uma cirurgia de emergência e iniciei uma grande luta para não perder o membro. Passei por 4 internações, a primeira de imediato ao acidente em que levou 4 meses e 18 dias, pois a lesão foi se agravando, e meu corpo também, afinal com uma internação de mais de 4 meses, 9 idas ao centro cirúrgico nesse período de meses e inúmeras medicações, acabei perdendo muito peso, especificamente 15 quilos, me tornando fraca e com um quadro de desnutrição, com acessos profundos para receber medicações, pois já não havia em mim acessos simples pelo período longo de estar hospitalizada. Após haver uma melhora, recebi alta e fiquei no processo de curativos no ambulatório do hospital, acompanhada por uma comissão de curativos especializada em feridas, para dar continuidade à reconstrução da perna, afinal, meus pais não aceitavam a temida amputação. Entre o ano de 2013 a 2015 passei por internações para cirurgias ortopédicas e plásticas, para reconstrução da perna, tratamentos com inúmeras medicações, fisioterapias para ir recuperando o movimento, musculaturas, pois, a minha perna direita estava muito fina e muito atrofiada, e após longo processo para não perder a perna, após a última cirurgia de enxerto de pele, tive uma não cicatrização de feridas, onde foi diagnosticada uma osteomelite, uma infecção no osso, e não teve mais como adiar, era necessário ser feito a temível amputação. Algumas pessoas ao ouvir esta palavra, pode ser assustador, de dar medo, de apavorar, confesso que para mim foi libertador. Entre a noticia e o fato em si levaram aproximadamente 3 meses, para assinatura dos papeis burocráticos do hospital autorizando a ser realizado minha amputação, exames pré-operatórios, meu preparo psicológico e a internação de fato. E no dia 18 de novembro de 2015, passei pela amputação transfemural, perdi um membro mais ganhei toda uma vida completamente nova e repleta de novos sonhos, novas metas e novas conquistas. Perdi um membro, mas ganhei um mundo inteirinho todo novo para eu poder desvendar e descobrir que sou mais forte do que pensava e poderia ser muito realizada e feliz do que pudesse imaginar. “Para que pernas se eu sei voar!” Esse foi o pensamento que tive logo após ver que em minha perna direita agora tinha apenas o chamado coto. E assim me determinei, quando não conseguisse andar pela falta dela, voaria e iria muito longe aos meus voos, sei que estou apenas no comecinho deles, mas sabem, está sendo maravilhoso me ver já saindo do chão onde antes com duas pernas me prendia. Após minha amputação ganhei de presente de Deus, conhecer pessoas e lugares que me proporcionaram muitas conquistas, conheci a Ethnos, onde de certa forma consegui sair do doloroso SUS e pude ter a oportunidade de uma estrutura de prótese e atendimento de uma qualidade ainda não conhecida por mim, visibilidade das pessoas me conhecerem, e conquistar lugares nunca imaginados, jornal, revista, desfile, editorial de moda, participar do projeto da confete. Conheci a Andef onde me proporcionou conhecer o esporte, me fez ver que sim, eu ainda era capaz de fazer coisas como qualquer pessoa normal, que eu não estava entrando para o time dos deficientes e sim dos eficientes através da natação. “O fim que não esperamos, pode ser o começo daquilo que sempre desejamos.” Floresça, cresça, se ame, se abrace, sorria, brilhe, se reinvente, recomece, tenha fé, tente, sonhe, viva e seja feliz. E assim, eu descobri que aquilo que poderia ser um defeito me deixou ainda mais bonita. REINVENTE-SE! Meu nome é Anne Caroline, essa é a minha história.
Obrigada!”